Por Carlos Araújo/Da redação Natal
O excesso de peso e a obesidade aumentaram Brasil nos últimos sete
anos, é o que aponta a última pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco
e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel
2012), divulgado nesta terça-feira (27), pelo ministro da Saúde,
Alexandre Padilha.
Natal acompanha a tendência nacional. A frequência de obesidade e de
excesso de peso na população da capital potiguar passou de 13,1% e 43,3%
em 2006, para 21,1% e 52,2% respectivamente. O aumento ocorre tanto em
homens quanto mulheres. Na capital do Rio Grande do Norte, o percentual
de homens obesos subiu de 16% para 19,9% e com excesso de peso de 50,6%
para 54,9%. Entre as mulheres, os índices de obesidade aumentaram de
10,3% para 22,3% e de excesso de peso de 36,1% para 50%.
Na primeira edição do estudo, em 2006, 43,2% estavam acima do peso
ideal e 11,4% eram obesos no Brasil. Atualmente, o percentual subiu para
51% e 17,4%, respectivamente. É a primeira vez que mais da metade da
população brasileira está acima do peso.
O Vigitel retrata os hábitos da população e é um importante instrumento
para desenvolver políticas públicas de saúde preventiva. Nesta edição,
foram entrevistados 45.448 mil adultos em todas as capitais e no
Distrito Federal, entre julho de 2012 a fevereiro de 2013.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os dados servem de
alerta para que toda a sociedade se articule para controlar o aumento da
obesidade e do sobrepeso no país. “Os dados reforçam que a hora é
agora. Se não tomarmos - o conjunto da sociedade, familiares, trabalho,
agentes de governo - as medidas necessárias, se não agirmos agora,
corremos o risco de chegar a patamares de obesidade como os do Chile e
dos Estados Unidos. Por isso, temos que agir fortemente", disse.
Alimentação e atividade física
Apesar da obesidade estar relacionada a fatores genéticos, há uma
influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares
inadequados no aumento dos índices brasileiros. Forte aliado na
prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, o consumo de frutas e
hortaliças está sendo deixado de lado por uma boa parte da população de
Natal. Apenas 22,8% da população ingerem a porção diária recomendada
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de cinco ou mais porções ao
dia.
Outro indicador que preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada:
26,9% da população da cidade não dispensam a carne gordurosa e 44%
consomem leite integral regularmente. Os refrigerantes também têm
consumidores fieis – 12% dos natalenses tomam esse tipo de bebida ao
menos cinco vezes por semana. A pesquisa revela também que 35% da
população da capital potiguar praticam de atividade física no tempo
livre ou no lazer. Os homens (39,3%) são mais ativos que as mulheres
(31,3%).
COMBATE À OBESIDADE
Um dos objetivos do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento
das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), lançado em 2011, é deter
o crescimento da proporção de adultos brasileiros com excesso de peso
ou com obesidade.
Em março, o Ministério da Saúde criou a Linha de Cuidados da Atenção
Básica para excesso de peso e outros fatores de risco associados ao
sobrepeso e à obesidade até o atendimento em serviços especializados. A
Atenção Básica vai proporcionar diferentes tipos de tratamentos e
acompanhamentos ao usuário, o que inclui também atendimento psicológico.
A pessoa com sobrepeso (IMC igual ou superior a 25) poderá ser
encaminhada a um polo da Academia da Saúde para realização de atividades
físicas e a um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) para receber
orientações para uma alimentação saudável e balanceada. Atualmente,
82,1% dos 1.888 NASFs contam com nutricionistas; 85,7% com psicólogos e
61,6% com professores de educação física.
Toda a evolução do tratamento será acompanhada por uma das 37 mil
Unidades Básicas de Saúde (UBS), presentes em todos os municípios
brasileiros. O Programa Academia da Saúde é a principal estratégia para
induzir o aumento da prática da atividade física na população. Até
agora, já foram repassados R$ 175 milhões, de um total de investimento
previsto de R$ 390 milhões.
A iniciativa prevê a implantação de polos com infraestrutura,
equipamentos e profissionais qualificados para a orientação de práticas
corporais, atividades físicas e lazer. Atualmente, há mais de 2,8 mil
polos habilitados para a construção em todo o país e outros 155 projetos
pré-existentes que foram adaptados e custeados pelo Ministério da
Saúde. No Rio Grande do Norte, o Ministério da Saúde está investindo
R$9,8 milhões na construção de 84 polos em todo o estado.
Do MS